Tuesday, October 06, 2009

Chuva

se me concedessem
eu aceitaria
pare o tempo
naquela noite

peço aquele encontro
debaixo d'água
a chuva me beijando
junto com ela

as gotas pesando nos meus cílios
e caindo em seus olhos fechados
as cócegas escorrendo pelo rosto

quero aquela água
diluindo a nossa saliva
se infiltrando em cada espaço
e fazendo parte de nós

Aquela chuva bendita
tentando refrescar
sem sucesso
o calor sem fim
que saía da gente

Thursday, September 03, 2009

A filha de Zeus

deusa de Tróia,
esse cinismo simples
é que me atordoa

nem amo ainda
e quero conhecer-te
nem anoitecemos
e já desejo-te amanhecer

ser teu oposto
é te complementar?
ser teu aposto
pra te desnudar

Da minha ilha
tua canoa
Da minha cama
teu horizonte

És deusa, podes tudo

dos meus dramas
tuas risadas
dos meus risos
teu sarcasmo

És deusa, podes tudo...

Tuesday, March 03, 2009

Meu último poema

Quero escrever meu poema mais tocante
Porque será o último que te dedico
Será daqueles bem rasgados e densos
Para fazer jus à nossa história tão insana e pura

Quero que não deixes que ninguém toque no meu poema
Que ninguém o leia e caçoe dele
Eu o quero intocado como as nossas lembranças
Eterno como fomos um dia

Quero que o leia no nosso último aniversário
Que já nem comemoraremos
Que vertas tua última lágrima em homenagem a nós
E sorrias ao pensar no quanto fomos felizes

Quero que sintas que nada seria mais exato
Que esse poema ao falar de nós
Quero que ele seja controverso
Cheio de símbolos e códigos próprios

Quero que ele seja passional
Que seja explosivo e fatal
Que contenha muita música
Como nossa relação possuiu

Que esse poema cause febre ao ser lido
Que muitos nem consigam terminar de lê-lo
Que o rasguem em mil pedaços
Ou o citem numa carta de amor

Quero que ele seja tão perfeito
Quanto nossos corpos juntos
E tão desconexo
Quanto nossas conversas ao telefone

Que cause a mesma dor de te ver partir
E que ele não exista enfim
Para saberes o vazio que tenho sentido

Thursday, February 26, 2009

Marejar

E esse barco fica
como que ninando a minha dor
Ela pra lá e eu pra cá
ora pra cá ora pra lá

E o mar
nos meus olhos navega
salgado, quente, choroso

Ah! meu barquinho
para de balançar
preciso estar firme
conhecer ilhas e novas terras

Ah! por que vim de barco
se ela foi pela ponte?
A ponte pra lá e o barco pra cá
ora pra cá ora pra lá

Ah! barquinho teimoso
se não te aquetas
como vou ficar de pé?
É preciso estar serena
para explorar lugares ao redor

Tuesday, December 23, 2008

Eu desejo, Tu desejas.

O que é o desejo do ser amado
senão o combustível da nossa paixão?
Ver a vontade do outro em nos ter
é algo tão prazeroso quanto
qualquer satisfação posterior

Desejar alguém
é querer vê-lo amolecer em seus braços
é querer ouvir seu próprio nome sussurrado
ou em altos brados repetidas vezes
sem ritmo, descompassado,
querer ouvir palavras sem contexto
que nos fazem todo sentido

O desejo do amado, nos olhos
por nós, estampado
é o elixir da juventude
auto-estima e bom humor
É mais... é água na vida em comum
porque temos sede do desejo do ser amado
queremos e merecemos nos sentir devorados
pela vontade que podemos causar

Querer ser desejado
não é luxo, ego ou carência
é gostar de saber que o outro
se sente bem ao nos abraçar, beijar, sentir
ter certeza de que o outro vai estar ali
enquanto estiver ao seu lado
e não voando em outros braços
em busca de inspiração

Não nos envergonhemos
de desejar o desejo do amado
queremos ser miragem, vertigem, volúpia
como o outro também é aos nossos olhos

Thursday, December 04, 2008

Dizem que sou louco...

Adoro ser louca e gozar da minha loucura intensamente. Assim se tem

desculpa pra fazer tudo e ser o que quiser. Adoro guardar uma parte

diferente de mim com cada pessoa.... e ser ao mesmo tempo Stela,

Paola, Luiza, Beatriz e Cecília...sem ser todas ou cada uma por

vez. Gosto de me deleitar com o tanto que cada um guarda de mim...e

ser aquela que esse ou aquele conhece, brincar com meus personagens

de verdade. Cada parte se torna o todo. Sou a louca que lava carros

com cerveja, sou a santa que faz sinal da cruz em frente ao

cemitério, a puta que te beija com mais uma língua no meio, a burra

que finge saber o que não sabe, a imprevisível que inventa uma

reação a mais, a inteligente que sempre leu algo a respeito, a

depressiva que chora depois da gargalhada. Sou louca quando sou

autêntica. Adoro ser louca.

Sunday, September 14, 2008

Só por desabafo mesmo

Ela voltou. Primeiro o alívio, depois as lombadas. Pai, mãe, família inteira, psiquiatra, psicólogo, amigas novas, fãs, ego, adicção, recuperação, monitoramento. Nunca é ela apenas. É uma mulher que vem com o pacote. Isso me irrita.

Primeiro porque o fato de eu estar em presença de alguém que tem cada passo vigiado significa que os meus passos também estão sendo vigiados. E eu sempre odiei dar satisfação da minha vida, desde que me entendo como gente. Além disso, a esse respeito, penso que se ela está em minha companhia não precisaria mais de explicações extras, já que eu sempre demonstrei total responsabilidade e preocupação para com sua saúde e bem-estar. Sinto-me desrespeitada e excluída por seus familiares e afins. Logo eu que sempre me desdobro pra ser simpática, agradável, sociável e outros tantos veles.

O outro fator que não me desce é a maldita baixa auto-estima da criatura. Sempre tentando me provar o quanto é desejada, esfregando fãs na minha cara. Ela não tem amigos, tem fãs. E os fãs sempre me odeiam e fazem questão de tentar em todas as oportunidades macular a nossa relação. Eis o desequilíbrio que não suporto: Até quando eu piso no pé dela é para protejê-la. Ela me quer cambaleante, insegura, frágil. Gosta de me colocar pra baixo pra sentir que tem algum poder sobre mim. Eu percebo, fico puta e saio fora. Depois tento explicar a situação pra ver se vejo seu espírito evoluir. Acho que ela ainda vai precisar de algumas reencarnações pra me alcançar, se essas existirem.