Tuesday, March 03, 2009

Meu último poema

Quero escrever meu poema mais tocante
Porque será o último que te dedico
Será daqueles bem rasgados e densos
Para fazer jus à nossa história tão insana e pura

Quero que não deixes que ninguém toque no meu poema
Que ninguém o leia e caçoe dele
Eu o quero intocado como as nossas lembranças
Eterno como fomos um dia

Quero que o leia no nosso último aniversário
Que já nem comemoraremos
Que vertas tua última lágrima em homenagem a nós
E sorrias ao pensar no quanto fomos felizes

Quero que sintas que nada seria mais exato
Que esse poema ao falar de nós
Quero que ele seja controverso
Cheio de símbolos e códigos próprios

Quero que ele seja passional
Que seja explosivo e fatal
Que contenha muita música
Como nossa relação possuiu

Que esse poema cause febre ao ser lido
Que muitos nem consigam terminar de lê-lo
Que o rasguem em mil pedaços
Ou o citem numa carta de amor

Quero que ele seja tão perfeito
Quanto nossos corpos juntos
E tão desconexo
Quanto nossas conversas ao telefone

Que cause a mesma dor de te ver partir
E que ele não exista enfim
Para saberes o vazio que tenho sentido

Thursday, February 26, 2009

Marejar

E esse barco fica
como que ninando a minha dor
Ela pra lá e eu pra cá
ora pra cá ora pra lá

E o mar
nos meus olhos navega
salgado, quente, choroso

Ah! meu barquinho
para de balançar
preciso estar firme
conhecer ilhas e novas terras

Ah! por que vim de barco
se ela foi pela ponte?
A ponte pra lá e o barco pra cá
ora pra cá ora pra lá

Ah! barquinho teimoso
se não te aquetas
como vou ficar de pé?
É preciso estar serena
para explorar lugares ao redor

Tuesday, December 23, 2008

Eu desejo, Tu desejas.

O que é o desejo do ser amado
senão o combustível da nossa paixão?
Ver a vontade do outro em nos ter
é algo tão prazeroso quanto
qualquer satisfação posterior

Desejar alguém
é querer vê-lo amolecer em seus braços
é querer ouvir seu próprio nome susurrado
ou em altos brados repetidas vezes
sem ritmo, descompassado,
querer ouvir palavras sem contexto
que nos fazem todo sentido

O desejo do amado, nos olhos
por nós, estampado
é o elixir da juventude
auto-estima e bom humor
É mais... é água na vida em comum
porque temos sede do desejo do ser amado
queremos e merecemos nos sentir devorados
pela vontade que podemos causar

Querer ser desejado
não é luxo, ego ou carência
é gostar de saber que o outro
se sente bem ao nos abraçar, beijar, sentir
ter certeza de que o outro vai estar ali
enquanto estiver ao seu lado
e não voando em outros braços
em busca de inspiração

Não nos envergonhemos
de desejar o desejo do amado
queremos ser miragem, vertigem, volúpia
como o outro também é aos nossos olhos

Thursday, December 04, 2008

Dizem que sou louco...

Adoro ser louca e gozar da minha loucura intensamente. Assim se tem

desculpa pra fazer tudo e ser o que quiser. Adoro guardar uma parte

diferente de mim com cada pessoa.... e ser ao mesmo tempo Stela,

Paola, Luiza, Beatriz e Cecília...sem ser todas ou cada uma por

vez. Gosto de me deleitar com o tanto que cada um guarda de mim...e

ser aquela que esse ou aquele conhece, brincar com meus personagens

de verdade. Cada parte se torna o todo. Sou a louca que lava carros

com cerveja, sou a santa que faz sinal da cruz em frente ao

cemitério, a puta que te beija com mais uma língua no meio, a burra

que finge saber o que não sabe, a imprevisível que inventa uma

reação a mais, a inteligente que sempre leu algo a respeito, a

depressiva que chora depois da gargalhada. Sou louca quando sou

autêntica. Adoro ser louca.

Sunday, September 14, 2008

Só por desabafo mesmo

Ela voltou. Primeiro o alívio, depois as lombadas. Pai, mãe, família inteira, psiquiatra, psicólogo, amigas novas, fãs, ego, adicção, recuperação, monitoramento. Nunca é ela apenas. É uma mulher que vem com o pacote. Isso me irrita.

Primeiro porque o fato de eu estar em presença de alguém que tem cada passo vigiado significa que os meus passos também estão sendo vigiados. E eu sempre odiei dar satisfação da minha vida, desde que me entendo como gente. Além disso, a esse respeito, penso que se ela está em minha companhia não precisaria mais de explicações extras, já que eu sempre demonstrei total responsabilidade e preocupação para com sua saúde e bem-estar. Sinto-me desrespeitada e excluída por seus familiares e afins. Logo eu que sempre me desdobro pra ser simpática, agradável, sociável e outros tantos veles.

O outro fator que não me desce é a maldita baixa auto-estima da criatura. Sempre tentando me provar o quanto é desejada, esfregando fãs na minha cara. Ela não tem amigos, tem fãs. E os fãs sempre me odeiam e fazem questão de tentar em todas as oportunidades macular a nossa relação. Eis o desequilíbrio que não suporto: Até quando eu piso no pé dela é para protejê-la. Ela me quer cambaleante, insegura, frágil. Gosta de me colocar pra baixo pra sentir que tem algum poder sobre mim. Eu percebo, fico puta e saio fora. Depois tento explicar a situação pra ver se vejo seu espírito evoluir. Acho que ela ainda vai precisar de algumas reencarnações pra me alcançar, se essas existirem.

Saturday, August 23, 2008

à minha querida amiga

amiga, me conta, não finge
não é de curiosa que quero saber
diz o que é que te aflige
quero dividir o peso com você

tantas mágoas, dúvidas, amores,
deve haver no recôndito da tua alma
tenho palavras, não são favores
da minha mão, em silêncio, te ofereço a palma

em meu peito teus enigmas, despeja
quero vê-la flutuar de leveza
Molha minha manga com teu choro
e deixa teu sorriso se espalhar com vigoro

Permita que eu fique por perto
e te faça esquecer de tudo ao fazer graça
deixa que eu te cure, é certo
com esse amor amigo que a ti me enlaça

Monday, August 04, 2008

Torrente

Tantas emoções pulsando
Um incômodo, uma angústia
Que eu queria jorrar o que sinto
E acalmar essa correnteza
Que vai e vem dentro do peito

Só que tua imagem me cala
A alma fala, mas eu não decifro
Essa torrente que me causa
Vem em forma de frio, vento, tempestade
Não se encolhe dentro das palavras

Você é solta e se espalha em minha mente
Não cabe nas minhas letras e versos
Escapa das regras da minha escrita
E se não há em mim palavras que te bastem
Como dizer-te? Como dizer-te?